quinta-feira, 21 de maio de 2015

Índia, um país muito intenso!

Não tem como passar pela Índia e ter meias sensações. Nada é mais ou menos – para o bem e para o mal. Tudo é muitooooo!
Taj Mahal: o monumento mais lindo da Índia
Tem muita coisa ruim por aqui: pobreza, sujeira, bagunça, transito caótico, mas também tem bastante coisa incrível: a comida, o hinduísmo e seus Deuses, os palácios e construções antigas com tanta beleza que no fim das contas me imagino voltando para a India para conhecer outras cidades
Muito confusa: com muita gente onde quer que você vá, animais como vacas, búfalos, macacos e cachorros no meio da rua, tanto na cidade quanto nas estradas. Aqui as vacas param o transito. Com muitos vendedores ambulantes te oferecendo tudo o tempo todo enquanto vc anda na rua ou tenta sair de algum ponto turístico.
Comércio de rua em Delhi
Carros, pessoas e bicicletas andando em todos os sentidos...  transito de rua

Boi descansando no canteiro da rua, na frente do nosso hotel
Muitos Tuk tuks espalham-se pelas cidades, e são o principal meio de transporte aqui. É mais fácil achar um tuktuk do que um taxi e geralmente eles vivem assim, lotado de gente saindo pelos lados...
Tuk tuk lotado - esse da foto tinha umas 8 pessoas dentro mas chegamos a contar um com 12 pessoas emaranhadas  
Muito apimentada e saborosa: tudo que você come tem pimenta ou a combinação de especiarias indianas que apimentam qualquer coisa e mesmo assim é uma delicia.
Nosso almoço de todo dia: curry de frango com molho de iogurte, paneer e o famoso e delicioso paozinho naan
Muito interessante e complexa com sua cultura hinduísta com mais de 300 mil deuses. Essa é a filosofia religiosa mais antiga do mundo e também a mais difícil de compreender. Sua essência é simples: Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas e representado por divindades individuais, entre os mais sagrados estão Brahma, Vishnu e Shiva.
Templo hinduista em Delhi: foto lá dentro é proibido
No hinduísmo tudo é sagrado (os animais, os seres humanos, a natureza) e é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios de ajudar as pessoas a experimentarem a divindade que está em todas as partes, na natureza, nos animais e até mesmo dentro de nós, pregando uma certa igualdade entre os seres vivos do planeta. É caracterizado pela crença na reencarnação, determinada pela lei do karma, e que a salvação é a liberdade deste ciclo de sucessivos nascimentos e mortes.
Tudo depende do seu karma – das suas atitudes em vida. Você pode ter sido uma formiga em uma vida passada, ou uma arvore e a cada vida encarnada você tem a oportunidade de evoluir (ou regredir) espiritualmente, buscando essa salvação ou elevação do seu ser. Dentre varias praticas diferentes para se atingir a elevação do seu Ser está a... Yoga!
Se você acha que yoga é apenas se esticar e torcer o corpo para queimar calorias, está enganado. Ela é muito mais do que isso: Yoga é um conjunto de conhecimentos hindus de mais de 5.000 anos que esta nos Vedas (Escrituras sagradas do hinduísmo). É harmonizar o corpo com a mente , é a transformação da consciência humana em consciência divina. Com a pratica constante vc percebe que a causa do seu sofrimento está na limitação de sua mente, e que a felicidade não é encontrada fora, mas em cada momento em que está consigo mesmo, sem desejos, sem pensamentos, em paz.

Filosofei um pouquinho.. rs  Mas esse só um pedacinho bem pequeno do que eu entendo como o hinduísmo. Ele tem muitas doutrinas diferentes, várias escrituras sagradas e que eu poderia ficar dias e dias tentando entender e mesmo assim não chegaria num conceito final. Mesmo assim admiro e simpatizo com suas crenças.

Muito quente: pegamos dias de 45C com sensação térmica de 50C... Quente a ponto de desistirmos dos passeios e voltar pro hotel no meio da tarde.

Muito machista: os homens trabalham e as mulheres ficam em casa. Quase não vimos mulheres trabalhando nos comércios, restaurantes, lojas, ou qualquer outro lugar.
Muito injusto: o sistema de castas é mais forte e mais importante do que o próprio hinduísmo. O sistema de castas é uma divisão social da sociedade em grupos e que na minha opinião é pior do que racismo (O governo já aboliu o sistema de castas e inclusive dá dinheiro para as famílias como uma forma de incentivar o casamento entre castas mas leva tempo, talvez gerações para realmente extinguir isso da cultura hindu) Vou explicar. Existem 5 principais castas: 1- os brâmanes que são a casta mais alta e nobre, composta por sacerdotes e letrados. Segundo a lenda hindu nasceram da cabeça de Brahma – o Deus supremo; 2- os xátrias mais conhecidos como guerreiros nasceram dos braços de Brahma; 3- os vaixás (comerciantes) nasceram da barriga de Brahma; 4 -Os sudras (servos: camponeses, artesãos e operários) nasceram das pernas de Brahma e por fim a classe mais rebaixada da sociedade: Os Dalits – os intocáveis. São considerados uma raça impura e por isso não podem ter contato com outras pessoas e nem ser tocados. O nosso guia nos contou que antigamente se algum membro das castas superiores era tocado por um Dalit, eles precisavam se banhar no rio Ganges para se purificar. Eles preferem alimentar um animal do que um Dalit... Injusto e impressionante né? Os dalits acabam ficando literalmente com o trabalho sujo –  limpar excrementos de animais e humanos, cremação, ou qualquer outra coisa que envolva esse tipo de trabalho. Felizmente as coisas estão mudando e os Dalits hoje em dia já conseguem melhores empregos, pois como disse, o governo aboliu este sistema de castas, mas a mentalidade das pessoas ainda demora tempo e gerações para eliminar esse tipo de racismo da sociedade. Mahatma Gandi lutou muito quando era vivo para extinguir o sistema de castas da cultura hinduísta.
Muito constrangedora: Todos os homens indianos te secam de cima a baixo. Usei saia longa todos os dias mas mesmo assim, os indianos não estão acostumados com as mulheres ocidentais e não estão nem ai se seu marido ou namorado está do lado... Eles te secam mesmo e nada escapa. 
Ate mesmo as mulheres e crianças te olham como se fosse um ser de outro planeta, pedem pra tirar foto, me sentia impotante. No primeiro dia eu estava achando tudo engraçado, no último já estava de saco cheio de me sentir ET.
Muito colorida: com suas cores vibrantes dos saris e misturas de cores nas pashminas. 

loja de rua: cores e estampas dominam
Muito linda: com suas paisagens super variadas, indo de deserto a montanhas. 


Muito zen: com seus milhares de seguidores de yoga e meditação. 
Sadhus na frente de um templo hinduista: são considerados pessoas misticas,  praticante de yoga ou ate mesmo um monge andarilho. O termo Sadhu significa bom homem. Eles acabam abandonando a sociedade comum  para poder viver com foco em sua vida espiritual. Isso significa abandonar suas casas e famiíias e obviamente dinheiro.
Muito pobre, com muita gente pedindo dinheiro na rua. 

Muito incrível, com o Taj Mahal e muitas outras maravilhas espalhadas pelo país. Essa da foto é uma mesquita que visitamos em Delhi
Mesquita em Delhi

portão principal para entrar no Taj Mahal
Muito impressionante, com suas cremações de corpos junto ao Ganges. E, por fim muito surreal, por conseguir ter toda essa mistura e ainda assim ser um país tão intenso!
Acho que vale a pena ir pra Índia pra quem realmente quer muito conhecer, porque é uma experiência intensa e cansativa, porque tudo é muito, sabe? O tempo todo. Nós escolhemos passar 9 dias pelos seguinte lugares:
Delhi e sua ambiguidade entre New Delhi, com suas ruas largas e projetadas e palácios construídos pelos britânicos e a Delhi antiga, com suas ruas estreitas, fortalezas, mesquitas e templos construída pelos Indianos e Mongóis.
Dentro da maior mesquita da India - o islamismo é a segunda maior religião do país por conta da influencia Mongol
Túmulo de Mahatma Ghandi - aqui estão parte das cinzas desta figura tão importante para este país que lutou muito contra o sistema de castas e pela independência da Índia. Infelizmente foi morto em 1948, 1 ano depois da independência.

Templo hinduista que se tornou islâmico por conta do domínio mongol. Os mongóis destruiram todas as imagens dos Deuses Hindus que estavam por toda a parte. Algumas imagens que ainda estão aqui tiveram suas cabeças cortadas. 
Cada arvore uma oportunidade de se sentar a sombra e fugir do calor de 42C de Delhi
Ao fundo o India Gate construído pelos britânicos durante a colonização. me lembrou um pouco a Champs Elysses
O que pouca gente sabe é que os Mongóis dominaram a Índia por mais de 300 anos e foi neste período que eles construíram cidades, mesquitas, palácios lindos, mausoléus, inclusive foi um rei mongol que construiu o Taj Mahal.
Agra e o Taj Mahal, um monumento único que te tira o folego.
Foi o imperador muçulmano Shah Jahan que mandou construir esse mausoléu em homenagem a sua esposa preferida Mumtaz Mahal.
pelos cantos do Taj: além do suntuoso mármore branco, o palácio é todo cravejado em pedras preciosas que foram milimétricamente colocadas em forma de flores... da pra acreditar? 
Jaipur, a cidade rosa (que na verdade a cor das casas está mais pra terracota do que rosa), com toda a sua historia dos Marajás que pintaram as casas da cidade e construíram palácios, muralhas e fortalezas lindíssimas que estão lá até hoje.
Elefantes lindamente decorados para a subida
Na subida para ver o palácio de Amber
vista do palacio de Amber, no fundo as montanhas secas desse quase deserto. Se olhar com bastante atenção da pra ver a muralha que protegia a cidade das invasões








Não resisti a tatuagem de henna. Aqui as mulheres usam em ocasiões especiais: festas, celebrações, casamentos. 
Udaipur seus lagos e o lindo do palácio do Marajá Local, com certeza a cidade da Índia em que vimos mais ordem e limpeza. É interessante dizer que os marajás ainda existem aqui, não reinando, mas vivendo nos seus palácios que visitamos!
As margens do lago de Udaipur: vimos pessoas lavando roupa e crianças tomando banho
palácio com vista para o lago: a antiga cidade de Udaipur  ficava nas margens do lago. Hoje a maioria dos palácios viraram hotéis e restaurantes
Entrada de um dos palácios no meio do lago, hoje um hotel de luxo
Entrada do templo Hinduista em Udaipur

Dentro do palácio onde o marajá viva com sua família. Ele ainda mora por aqui só que no palácio do lado
Ganesha pintado pelas paredes do palácio
 Ainda tinha uma ultima cidade para ir, e que particularmente depois do Taj, era o lugar que mais queria conhecer. Rishikesh, a cidade sagrada do Yoga e onde o sagrado rio Ganges é limpo.
Seguimos viagem de carro rumo a Rishikesh partindo de Delhi, e depois que quase 5horas de viagem a estrada parou. Nosso motorista descobriu que estava acontecendo um festival sagrado da lua cheia na cidade de Haridwar que fica 25km antes de Rishikesh. O transito tinha 65 km de extensão e havia uma chance gigante de não conseguirmos chegar ate lá. Com muita tristeza no coração demos meia volta e tocamos a nossa vida para Delhi. O risco de continuar no transito era pegar pelo menos mais 5 horas de viagem e passar a madrugada na estrada, dormindo no carro. risco desnecessário quando se pensa que estamos num país que não é seguro... 
Depois de quase 2 meses de viagem deixamos a Ásia para trás e seguimos viagem rumo ao velho continente: Europa!

Namastê (O Deus dentro de mim saúda o Deus dentro de você)

Nenhum comentário:

Postar um comentário